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Como os princípios do design influenciam naquilo que gostamos?

Muitas pessoas ainda desconhecem (inclusive designers), mas o design, enquanto ciência da inovação, possui uma série de leis, conhecimentos e diretrizes que regem a sua plena utilização. Essas leis são conhecidas como princípios do design (princípios universais do design) e podem influenciar e explicar por que gostamos de determinadas coisas, e, assim, geram interferência nas nossas escolhas e preferências. 

 

Esses princípios podem ser úteis como ferramenta para aprimorar a usabilidade, influenciar a percepção e aumentar o apelo dos nossos projetos, bem como ensinar por meio do design.

Você já se perguntou por que alguns objetos tem maior capacidade de influenciar na forma como interagimos com eles? 

 

O princípio universal de Affordance nos dá a resposta: algumas características físicas de um produto são mais adequadas a algumas funções do que outras. Quando essa adequação de um objeto corresponde à função para qual ele foi criado, o design será mais eficiente e fácil de utilizar.

 

Agora, pense em uma maçaneta de porta ou em peças de Lego.

 

 

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Em ambos os casos, sabemos como interagir com esses objetos desde muito cedo, pois suas características físicas comunicam e nos orientam sobre como podemos utilizá-los.

 

affordancequando bem trabalhado em um projeto, além de influenciar na forma de interação, é capaz de proporcionar um nível maior de segurança a um produto ou ambiente.

 

Vou compartilhar com um exemplo: em 2016, a Valkiria Inteligência Criativa recebeu um prêmio pelo design de uma garrafa térmica para a Soprano.

 

Esse projeto tinha por objetivo contemplar as aspirações de um público predominantemente feminino, que almejava um produto de qualidade e cumpridor de sua função, e que fosse esteticamente atraente.

 

Aos primeiros olhares, pode parecer só uma garrafa térmica bonitinha. Mais uma opção para o mercado brasileiro, que já contava com inúmeros modelos. 

 

Você ja se questionou por que gostamos do que gostamos?

 

 

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Contudo, esse projeto se diferencia, entre inúmeros aspectos técnicos e funcionais, por utilizar um princípio universal do design em sua concepção: o Antropomorfismo.

 

Esse princípio esclarece a tendência de nós, seres humanos, considerarmos atraentes as formas de aparência humanoide ou que demonstrem características humanas semelhantes as nossas.

 

Com base nisso, criamos um desenho mais feminino capaz de estabelecer uma conexão significativa do produto com o seu público-alvo. Felizmente, isso foi percebido pelo mercado, se refletiu em vendas e trouxe bons resultados para a empresa fabricante.

 

E o que mais pode influenciar a nossa percepção e nossas preferências quando o assunto é design?

 

Você já ouviu falar em Densidade Proposicional?

 

O nome pode nos remeter a algo estatístico, demográfico. Mas, de fato, estamos falando de um outro importante princípio universal do design e, acreditem, há até uma fórmula para estabelecê-lo. 

 

A densidade proposicional estima a relação entre os elementos de um design e o significado que eles representam às pessoas. Ela pode ser calculada dividindo o número de proposições profundas pelo número de proposições superficiais de um projeto de design.

 

 

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Complicou? Vamos a um exemplo: pensem no símbolo da Apple.

 

Nesse caso, consideraremos como proposições superficiais o corpo da maçã, a folha e o pedaço mordido.

 

Já nas proposições profundas podemos ter, entre outras coisas, a maçã como uma fruta saudável, a macieira como a árvore do conhecimento na Bíblia, o fato de morder a maçã representando uma forma de obter conhecimento, a epifania de Isaac Newton sobre a gravidade a partir da queda de uma maçã, a beleza estética de uma maçã, a maçã como um bom presente para a professora, etc.

 

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Apenas com as proposições listadas, o logotipo da Apple teria uma densidade proposicional de 2, ou seja, uma alta densidade se pensarmos que objetos e ambientes com densidade superiores a 1 já são percebidos como mais interessantes e envolventes do que aqueles inferiores a 1.

 

Outro bom exemplo é a identidade visual da campanha à presidência dos Estados Unidos de Barack Obama em 2008.

 

O projeto foi muito elogiado por seu design, mas a alta densidade proposicional (DP = 10/3 = 3,33) do seu símbolo é a causa principal do seu sucesso.

 

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Veja a análise do símbolo da identidade visual com as proposições superficiais (em azul) versus proposições profundas (em vermelho).

 

 

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O livro Princípios Universais do Design (Lidwell, William : Bookman, 2010) traz mais 122 princípios.

 

Esses conceitos podem auxiliar profissionais de design, marketing, engenharia e desenvolvimento de produto a encontrarem soluções inovadoras para seus desafios com mais embasamento.

 

Obviamente, esses princípios não são os únicos. Existem muitos outros.

 

Sinto que o que precisamos é ampliar o nosso entendimento a respeito da percepção humana e o nosso repertório de design.

 

Assim, poderemos desmistificar algumas escolhas que fazemos (as quais na maioria dos casos não sabemos bem o porquê) e produzir mais significado com os nossos projetos.

 

 

 

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