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Que embalagem você quer deixar para o meio ambiente?

Percebemos que o desejo de uma sociedade livre de plásticos ganhou força no último ano.

 

Os plásticos utilizados em embalagens descartáveis para alimentos e bebidas e os microplásticos encontrados em produtos de beleza, fast-fashion, cuidados pessoais e limpeza doméstica estão sob forte julgamento.

 

Refletir sobre as consequências do que produzimos e consumimos nunca foi tão importante e necessário. Em outras palavras, nunca tivemos tantos habitantes em nosso planeta e, consequentemente, nunca se produziu tanto lixo quanto agora.

 

Segundo uma matéria divulgada pela Ecycle, “praticamente todo o plástico já produzido pela humanidade ainda existe”. Dessa maneira, precisamos pensar em alternativas para substituir esse material que vem se concentrando em nossos oceanos, lixões e aterros sanitários. Indo além, precisamos pensar no produto em si e na sua composição, na fabricação, na embalagem, no transporte, no descarte, na logística reversa, e até mesmo na sua real necessidade.

 

E por entender que o designer tem um papel importante nesta caminhada ecológica, separamos alguns tópicos e materiais que estão sendo discutidos nesse universo.

 

Reciclável x Reciclado

Esse é um ponto delicado, pois escolher por produtos recicláveis não necessariamente é uma boa solução em termos ecológicos. Existem diversos materiais que são recicláveis. Para serem basta existir um processo de reciclagem. No entanto, alguns processos são complexos e exigem condições específicas, cujos custos de reciclar, muitas vezes, não compensam em vista do resultado obtido.

Quer um exemplo? Uma parcela grande do lixo plástico que está nos oceanos, em aterros sanitários e espalhado pela natureza, é classificado como “reciclável”, o que significa que ele poderia, em tese, ser transformado em novos produtos, mas não é o que acontece. 

 

 

Biodegradável x Compostável

Biodegradável é aquilo que é natural o suficiente para se degradar, desfazer, apodrecer, de maneira fácil e se tornar parte da terra novamente, sem causar problemas ou deixar resíduos. O biodegradável é capaz de ser decomposto por bactérias. A biodegradação pode levar dias ou anos, isso é que faz a diferença entre o que é “bom” ou “ruim” para o meio ambiente. Em resumo, quanto mais natural for o material, mais rapidamente ele vai biodegradar e desaparecer. Exemplo: resíduos de origem orgânica como papéis, tecidos de algodão, couro, madeira.

Produtos compostáveis ​​são como os produtos biodegradáveis; porém, muito melhores para a natureza. Os produtos compostáveis possuem um tempo de desagregação que pode variar de 1 a 6 meses, gerando um material estável, rico em nutrientes minerais que trazem benefícios para o meio ambiente.

 

O problema do plástico

Por que o plástico virou o vilão? Estamos falando de um material proveniente de uma fonte não renovável, que é o petróleo. Além disso ele leva muitos e muitos anos para se decompor e, no seu processo de decomposição, se transforma em nano e microplásticos, que são nocivos para a saúde de todos. Contudo, por ser também um material versátil, leve, maleável e ao, mesmo tempo, resistente e durável, o plástico vem sendo amplamente utilizado.

 

A Diretora de engajamento do WWF-Brasil Gabriela Yamaguchi comenta: “a maneira com a qual indústrias e governos lidaram com o plástico e a maneira com a qual a sociedade o converteu em uma conveniência descartável de uso único transformou essa inovação em um desastre ambiental mundial. Aproximadamente metade de todos os produtos plásticos que poluem o mundo hoje foram criados após 2000.”

 

Por fim, o ponto importante de salientar sobre esse material é que o plástico não desaparece, ele apenas fica menor.

 

No entanto, trata-se de um material que pode ser reciclado e, quando encaminhado corretamente para a reciclagem, pode voltar para a cadeia energética e causar menos impacto. Mas, infelizmente, isso não vem acontecendo aqui no Brasil e no mundo.

 

Você sabia que:

  • Apenas 1,2% do plástico produzido no Brasil foi reciclado. (WWF)
  • Apenas 9% do plástico produzido no mundo foi reciclado. (NatGeo)
  • O Brasil é o 4º país que mais gera lixo plástico no mundo. (WWF)
  • Calcula-se que 75% do plástico já produzido é considerado desperdício, já que são produtos de uso único. (WWF)
  • A previsão é de que até 2050 os oceanos irão conter mais resíduos de plástico do que peixe (NatGeo)

 

Nesse contexto, começaram a surgir diversas alternativas ao plástico tradicional, mas ainda plásticos. E assim, surgiu o conceito de greenwashing: um termo dado pela apropriação de discursos enganosos sobre sustentabilidade e ações ecológicas para iludir e confundir os consumidores que desconhecem o assunto. Em resumo: é o uso de estratégias de marketing para vender um produto/marca como ecológico, correto, sustentável, verde, quando na verdade, a realidade é bem outra.

 

Por isso, precisamos estar sempre atentos com os plásticos alternativos. Vamos ver o que foi desenvolvido até o momento?

 

Plástico oxibiodegradável

Esse material surgiu no mercado com a proposta de ser menos danoso ao ambiente, mas gera algumas controvérsias. Trata-se de um material plástico acrescido de aditivos químicos que aceleram a sua decomposição. No entanto, no fim de sua vida útil, ele não desaparece. O que acontece é que ele se divide em microplásticos (uma espécie de pó) que podem contaminar rios, lagos e mares. O fato é que o consumidor acredita que está consumindo um produto de baixo impacto, quando, na verdade, não está. Esse material, quando descartado ocasiona danos ao meio ambiente da mesma forma que o plástico tradicional.

 

Plástico PLA

Outra alternativa que cumpre as mesmas funções do plástico convencional é o plástico PLA (poliácido láctico). Essa alternativa é resultado do processo de fermentação de vegetais ricos em amido (ex: beterraba, milho e mandioca). Esse material é biodegradável, reciclável e compostável, mas, importante salientar que apenas em condições ideais de reciclagem. Para ocorrer a degradação adequada é preciso que o descarte seja feito corretamente. Infelizmente, a maior parte do resíduo brasileiro acaba indo parar em aterros e lixões, onde não há garantias de que o material se biodegrade em sua totalidade. Como se não bastasse, nessas condições, ainda há a liberação de gás metano, um dos gases mais problemáticos para o agravamento do efeito estufa. O fato de ser um material não derivado do petróleo pode ser visto como uma vantagem, mas nem por isso devemos utilizá-lo de forma inconsequente e inconsciente como se estivéssemos salvando o nosso planeta.

 

Plástico verde (PE)

É uma alternativa de origem vegetal proveniente da cana-de-açúcar. Teve origem no Brasil, sendo desenvolvido pela Brasken. O problema é que esse plástico não é biodegradável, isto é, não é degradado por micro-organismos como fungos e bactérias. Assim, quando descartados, acabam permanecendo no meio ambiente por décadas e até séculos agravando o problema de acúmulo de lixo e poluição.

 

Em resumo, o desafio é utilizar soluções que tenham o menor impacto ambiental possível para diminuirmos os problemas decorrentes do nosso consumo. Sabemos que dificilmente chegaremos a soluções 100% ecológicas para nossos produtos e serviços. Contudo, a complexidade desse desafio exige de nós mais consciência em relação a tudo que produzimos e consumimos, pois sempre haverão consequências para o meio ambiente.

 

Por isso, a nossa dica final é: produzir e consumir menos, com mais consciência e recusar aquilo que é inútil.

 

Além do plástico, acreditamos ser importante conhecer outros materiais e quais recursos naturais fazem parte da sua composição. Por isso, criamos um material rico em informações e alternativas para diminuirmos a utilização de plástico. Leia aqui.

 

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Referências:

Ecycle
Eureciclo
Arco resíduos
Recicloteca
Euromonitor International trends
WWF
Two Sides
NatGeo 

Vida Sustentável

 

 

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